16/11/2015

Resenha: País Imerso - Jéssica Anitelli e Allan Cutrim

Título: País Imerso
Autor: Jéssica Anitelli e Allan Cutrim

Editora: independente
Ano: 2015
Páginas: 285
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Sinopse: Um segundo Golpe Militar se instaura no Brasil, mudando drasticamente a sociedade. Tudo o que foi construído anteriormente se perdeu, a história desapareceu e as pessoas estão fadadas a cometerem os mesmos erros. Não há mais instituições de ensino, e o livro se tornou artigo proibido, aqueles que os têm, os rebeldes, são tratados como verdadeiros criminosos. A população é analfabeta e os militares são a elite da sociedade, mantendo-se nos lugares mais importantes do país. No meio disso tudo está Aline, uma jovem alfabetizada e de ideais rebeldes que ingressará no serviço militar. Por mais que ela não saiba o porquê de sua importância dentro do sistema, sua única certeza é: ninguém pode descobrir sobre o seu conhecimento.  Prepare-se, pois assim como Aline, você não acreditará no que o governo vem fazendo com as pessoas sem que elas desconfiem de nada.


País Imerso é uma distopia nacional cheia de ação, críticas e reflexões. Traduzindo: tem tudo o que uma distopia precisa, e um pouco mais!

Imagine um mundo onde o conhecimento é proibido, onde livros são queimados, as pessoas são analfabetas e não há história. Aposto que vocês ficaram com aquele friozinho na barriga só de pensar né? Pois é nesse mundo que Aline vive.
Nessa distopia, vivemos novamente uma época de ditadura militar mas dessa vez, a situação é inegavelmente pior. Os militares não querem que as pessoas tenham conhecimento, não querem que elas saibam sua história. Quem não concorda com isso é considerado um rebelde e é perseguido e morto sem piedade.
As pessoas trabalham e treinam desde cedo pra quando chegarem na adolescência serem designados para algum serviço que combine consigo. A maior honra de todas é virar um militar e consequentemente, esse é o sonho de todos os jovens. Menos o de Aline. Educada desde cedo por sua mãe, Aline tem conhecimento do que realmente aconteceu com o mundo e de como os militares controlam a vida das pessoas. Aline sabe ler e sabe ser crítica e mesmo não conhecendo toda a história ainda, já sofre por saber tanto e não poder fazer nada.
Ao receber seu serviço, Aline é escalada para o exército e por suas notas e desempenho alto, é designada para ser chefe do seu pelotão, ao lado de Alexandre, o menino que ela mais odeia no mundo.
Instruída por sua mãe e outras pessoas confiáveis, Aline aproveitará seu cargo para tentar começar a mudar as coisas mas para conseguir qualquer revolução dentro do sistema, Aline enfrentará muitos desafios e perdas terríveis.

[...] A população era alienada demais para pensar diferente daquilo que o governo implantava em suas mentes.

AAH, que vontade de gritar! Quero falar tanta coisa desse livro e não sei nem por onde começar.
Acho que o principal que quero ressaltar é: é uma distopia NACIONAL. Mas por que estou frisando isso? Bom, todos os dias vemos trocentas notícias sobre política, de como o país vai mal e etc., e ao ler esse livro, que é uma ficção, é interessantíssimo comparar com a situação real do país. Toda distopia trás críticas ao governo e a sociedade, isso é de praxe, mas por ser nacional, por se tratar do Brasil, eu acho que a coisa fica muito mais legal. Além do reconhecimento dos lugares, podemos fazer uma comparação com o que já aconteceu na nossa historia, que é a tão estudada Ditadura Militar e com o que acontece no presente.
Ta vendo como livros também são cultura e aumentam nosso conhecimento? País Imerso agrega e muito no senso crítico do leitor.

A história é cheia de ação e você realmente não consegue largar o livro um minuto sequer porque cada acontecimento traz uma nova situação e você precisa saber o que vai acontecer. Chegou a ser desesperador pra mim o quanto eu precisava terminar a leitura pra descobrir o que vinha a seguir. Claro que ao terminar quase me matei porque esse não é um livro único, vem mais dois por aí ainda.

- [...] Viver menos significa menos história, Aline, e sem história, sem conhecer o nosso próprio passado, não somos nada, estamos destinados a sempre cometer os mesmos erros.

Alguns personagens são cativantes e outros odiosos, assim como tem que ser. 
Aline, nossa personagem principal, é muito forte pra sua idade e pro que tem que realizar. Ela tem um senso de justiça apurado e uma amizade e lealdade sem tamanhos.
Isabel, a mãe de Aline, pode-se dizer que é um tremenda sobrevivente pois, perdeu tudo com o ataque dos militares e mesmo assim se mantem de pé, formou uma família e ainda luta pela liberdade.
Não falarei sobre os demais personagens separadamente senão a resenha ficará quilométrica mas ressalto que todos são muito bem construídos e humanos.

É importante falar sobre os sentimentos também não só os que eu senti mas os presentes no livro.
O amor salta pelas páginas, tanto o familiar quanto o entre amigos. Lealdade, garra e inteligência estão sempre presentes. O sentimento de tristeza é outro que paira livremente pelas palavras, tanto pelas perdas que são grandes e dolorosas quanto pelo sentimento de impotência que as vezes surge.
Lutar contra o sistema não é fácil, ainda mais quando a maioria das pessoas o aceita de boa vontade.
Quanto aos meus sentimentos, fiquei aflita, ansiosa, triste, alegre, nervosa... Foi um misto de coisas que me deixou louca. rs

País Imerso é um livro para se devorar cada palavra, apreciando-as, sentindo-as, analisando-as. É um livro não só para divertir mas para refletir. É um livro que vem para acrescentar e se destacar na nossa literatura. É um livro para vocês irem ler nesse exato momento.

Se seu conhecimento era algo tão importante assim, poderia usá-lo para mudar aquela realidade de mortes e sofrimento. Mudaria o mundo de qualquer jeito, nem que para isso fosse preciso entregar a própria vida.

6 comentários:

  1. Olá, Nathalia.
    Eu que fiquei com vontade de gritar por causa da sua resenha kkk
    Você realmente pegou toda a essência do livro, todas as críticas.
    Nosso objetivo era de que o leitor fizesse essa ligação com os dias atuais ^^
    Amei sua resenha. Muito obrigada.
    Logo mais o "País Corrompido" estará por aí *-*

    bjuuuss
    Jéssica Anitelli

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  2. Oi Natália!

    Olha, nem sei por onde começar, fiquei muito feliz com a percepção que você teve do livro.

    Tanto neste quanto nas sequências estamos trabalhando com muito do que vêm acontecendo no Brasil e por mais que tenha sido divertido o processo de construção da história, confia em mim, deu trabalho montar a trama e a intenção é passar a sensação crítica das personagens aos leitores também, rs.

    Muito obrigado pela resenha!

    Abraços,
    Allan Cutrim

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  3. Sua empolgação me contagiou Nath... Acabei de ler uma distopia nacional tb e tlsinto orgulho dos nossos escritores como nunca!!!!
    Quero ler esse!

    >> Vida Complicada <<

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  4. Oi Nath!!!!

    Ha!!!! Que bom que vc gostou!!!! Já sou fã da autora, e claro que não deixaria de ler mais um livro dela! rsrsrsrsrs
    Vou ler esse logo, logo, assim espero! Adorei sua resenha!

    bjo bjo^^

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  5. Nath!
    Adoro distopia e aqui me parece que a autora usou um tema bem forte que é a ditadura militar. O livro deve ter sido engrandecido com isso...
    Chocada! Como assim não ser alfabetizado, não poder ler livros? Acho que enlouqueceria em um lugar assim.
    Fiquei mais que curiosa por ler esse livro.
    Parabéns para autora.
    “Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”(Oscar Wilde)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  6. Olá!
    Friozinho na barriga não, meu deu foi uma dor no estomago só de imaginar um mundo assim rsrs
    Gosto muito de distopia e o fato de ser uma distopia nacional meu interesse cresceu mais ainda, pois como você disse esse livro serve pra se refletir, sobre tudo que o país está enfrentando e tudo mais... espero poder ler em breve e parabéns a autora Jessica Anitelli pela obra encantadora...
    Bjocas!!

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