28/12/2015

Resenha: Como Falar Com um Viúvo - Jonathan Tropper

Título: Como Falar com Viúvo
Autor: Jonathan Tropper
Editora: Sextante
Ano: 2010
Páginas: 272
Sinopse: Desde que sua esposa, Hailey, morreu há um ano, Doug Parker só pensa em se afogar  em autopiedade e Jack Daniel's. Não tirou nada do lugar em que ela deixou: o sutiã continua pendurado na maçaneta da porta, o livro, sobre a mesinha de cabeceira. Nada mais tem graça e até os coelhos que insistem em aparecer no gramado de sua casa no subúrbio de classe média alta de New Radford o tiram do sério.
Mas Doug tem outras coisas com que se preocupar. Seu pai sofre um AVC e não se lembra de quase nada. Sua mãe, uma ex-atriz de teatro, continua agindo com ose ainda tivesse seus dias de fama. Sua irã caçula e certinha, Debbie, conheceu o noivo durante o velório de Hailey, e Doug não consegue perdoá-la por isso. Seu enteado de 16 anos, que já foi um rapaz tranquilo, agora vive arrumando encrencas cada vez mais sérias.
E tudo se torna ainda mais confuso para Doug quando Claire, sua divertida e mandona irmã gêmea, grávida e prestes a se divorciar do marido, se muda para sua casa, disposta a arrancá-lo do estupor do luto e trazê-lo de volta à vida - e isso inclui começar a sair com outras mulheres.
Doug é jovem, charmoso e triste, ou seja, tem a química perfeita para protagonizar os mais inusitados encontros românticos. Em pouco tempo sua vida vira do avesso e lhe escapa totalmente ao controle, gerando uma hilária série de equívocos sexuais e episódios familiares tragicômicos.
 




Não vou me ater muito a passar um resumo do livro porque a sinopse acima já entrega tudo o que vocês precisam saber. Vamos diretamente a minha opinião. 
Eu esperava um livro totalmente melancólico, afinal, estamos lendo a história de um viúvo e enfrentar a morte de alguém amado nunca é fácil. Mas logo no começo do livro me deparei com uma história engraçada e inteligente. O sofrimento de Doug é de dar pena, mas com as situações pelas quais ele passa é impossível não se divertir.  

O livro é narrado em 1° pessoa pelo próprio Doug então acompanhamos muito o que ele pensa e sente. É óbvio que ele amava muito Hailey, mesmo eles sendo casados a pouco tempo e mesmo com os problemas de diferença de idade. Doug tem apenas 28 anos mas nos passa a impressão de ser um homem bem mais velho e acabado, tamanha é sua angustia.
Mesmo com todos os pensamentos, devaneios e filosofias de Doug, a narrativa é ágil e em nenhum momento você fica com tédio ou de saco cheio, a única coisa que sentimos é o desejo de ajudar Doug a se recuperar e seguir em frente. Aliás, fica claro que não é só a dor da perda de Hailey que atinge Doug, o medo de continuar sua vida é bastante presente. Mudar as coisas de lugar, sair com outras pessoas seria a confirmação de que Hailey realmente morreu e não voltará, e isso apavora nosso querido viúvo. 

 "Eu tinha uma esposa. Seu nome era Hailey. Agora ela se foi. E eu também."


Tropper constrói personagens reais, problemáticos e carismáticos, é impossível não gostar da família Parker. 
O pai de Doug, Stan, infelizmente não é mais o mesmo depois do AVC, a cada dia acorda de um jeito, não se lembra mais das coisas e são raros os momentos de lucidez. Para todos é como tratar uma criança. Mas mesmo em seus momentos loucos, Stan se mostra um boa pessoa. 
Claire, a irmã gêmea de Doug, é mandona, fala palavrão a todo momento, é estressada e não sabe bem o que quer. É a melhor amiga de Doug, tendo aquele sexto sentido que só irmãos gêmeos possuem. Foi de longe a personagem a quem mais me afeiçoei. 
Russ, o enteado de Doug, está passando por momentos difíceis após a perda da mãe. Vive se metendo em encrencas das feias e corre sempre para Doug, que agora é a pessoa que ele mais gosta no mundo, mesmo que não admita isso. 
A história tem outros personagens com suas importâncias, mas acho que esses são os mais dignos de nota. Todos eles tem problemas com as quais não conseguem lidar e tentam ajudar uns aos outros mesmo assim. 
Os momentos em que Doug passa com seus familiares e com Russ foram os melhores pra mim, foram os momentos mais engraçados e de mais aprendizagem. A família Parker é digna de um hospício. 
Os diálogos são inteligentes e emocionantes, com sua parcela de reflexão sobre a vida. 

Há uns quatro textos no meio da história que fazem parte da coluna que Doug escreve para a revista M, chamada "Como Falar Com Um Viúvo", onde ele conta sua vida durante esse luto que já dura 1 ano. Esses textos são extremamente sensíveis e um complemento a obra. 

Pra mim, o foco de tudo não foi a morte de Hailey, isso foi apenas o que deu início a tudo. O livro pra mim se trata de seguir em frente, superar os problemas, se trata do amor em todas as suas formas e acima de tudo se trata de recomeços. Um recomeço não só para o Doug, mas para o Russ, para a Claire e todos os outros. 
Tropper conseguiu fazer um obra extremamente divertida, tocante e inteligente, recomendável para todas as pessoas, independentemente de seus gostos. Um livro que com certeza eu recomendaria de olhos fechados a qualquer um. 

"- É a vida, só isso. Não existem finais felizes, apenas dias felizes, momentos felizes. O único fim genuíno é a morte e, acredite, ninguém morre feliz. E o preço de não morrer é ver as coisas mudarem o tempo todo, e a única certeza que temos é a de que não há nada que se possa fazer a respeito."

3 comentários:

  1. Oi Nath!

    Eu já li inúmeras resenhas positivas sobre este livro e até agora não tomei vergonha na cara e comprá-lo! rsrsrsrs
    Nunca li nada do autor e creio que este seja meu receio maior, mas se vc gostou, tenho certeza que tbm vou gostar!
    Ótima resenha viu!

    Bjo bjo^^

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  2. Ai xará, se eu já desejava esse livro, agora desejo muito mais!!
    Que resenha maravilhosa! Amo livros que tenham superação, e esse livro parece tão intenso, eu já fiquei triste pelo Doug e com vontade de ajuda-lo só de ler sua resenha <3 </3

    Beijos

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  3. Nathalia
    Não conhecia o livro, mas pelo que li na resenha me parece uma ótima leitura. Gosto do estilo, quando o autor consegui falar um tema tão pesado de forma leve, transmitindo sua mensagem de forma agradável.
    Abraços,

    Gisela
    @lerparadivertir
    Ler para Divertir

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